DOIS LIVROS DE BETH BRAIT ALVIM
- Editora Clóe
- 4 de nov. de 2025
- 2 min de leitura

"Poemas Selvagens" é um livro em que a poesia de Beth Brait Alvim se revela marcada pelo erotismo e pelo sensualismo, com certo tempero de surrealismo.
Destaco algumas expressões que denotam as características do seu estilo versátil, irreverente e transgressor: "o besuntado arcabouço do desejo"; "os poetas e seus amores loucos por desvarios de tardes lisérgicas"
(versos de um poema dedicado ao inolvidável Cláudio Willer, o grande cortejador de poetas visionários; ele próprio um dos mais exacerbados dessa categoria).
Encontrei, ainda, na leitura de "Poemas Selvagens", outros achados extraordinários, minimalistas, alguns, como no texto intitulado "Fórceps": "Insone/sou gafanhoto que/ carrega/ a Caixa de Pandora/ no útero".
A procura de certa sublimação na natureza aparece nestes luminosos versos: "as nuvens são a trégua para as minhas tormentas".
A marca existencial da condição humana emerge neste ímpeto fulgurante: "Meto a cabeça/ entre os medos e/ me viro".
Conforme bem detecta Gledson Sousa, Beth Brait Alvim surpreende pela "confusa memória das coisas que junta o tempo, as vozes dos bichos, a melancolia da noite".
O segundo livro de Beth Brait Alvim, que pretendo comentar é "Língua Febril", igualmente repleto de indômitas ressonâncias. Com efeito, desde os primeiros textos, a poeta afirma sua força em versos como os do poema "Subterrânea": " meu amor sonha barrancos e sufocos".
De pronto, nota-se certa nostalgia, própria de uma sensibilidade exacerbada e autêntica: "Naquele tempo sobrevoávamos à eternidade/ sem freios nos pés/ inventivos/ ousados.
A poesia como sublimação de sofrimentos mostra-se nestes versos: "meu coração é rio que rumoreja,/ após quarenta dias dias no deserto".
De súbito, aflora uma inusitada constatação estarrecedora: "Viver é suspiro/ é nadar oceano/ sem a esperança de/ um barco.
O livro está eficientemente estudado por Gledson Sousa, que observa como a voz da poeta transita por vastas regiões numa comunhão com tudo o que é vivo".
Com semelhante argúcia, testemunha
Giselle Ribeiro: "Língua Febril" é um livro que se desdobra, em descontínuo, uma dissolução da ordem, do comando. "O título já é uma transgressão viva", pois estamos diante de uma poeta "que não mede mais palavras".
Márcio Catunda



The article about Beth Brait Alvim’s books is really interesting because it shows how her poetry mixes emotion, surreal images, and deep reflections about life and human feeling. It feels intense but also very creative in how she plays with language and meaning. I remember once during a literature assignment week, I was overwhelmed with reading tasks and online quizzes at the same time, so I used online exam help to manage my workload and still keep up with analysis work like this. It made me realize how support can help you understand complex writing better without stress.